O que vimos aqui até agora é mais ou menos simples. Tanto a opção quanto a ação, depois de um período de tempo estavam com um valor maior do que pagamos e embolsávamos o lucro.
Mas você também pode ganhar na queda do preço. Caso você ache que ação (ou opção) vai valer menos no futuro do que vale hoje, você pode vender (sem ter) esperando recomprar no futuro por um preço mais baixo.
Assim: Você me vende (primeira operação, mesmo sem ter a ação) uma ação por R$ 12,00 pela manhã. Só que no fim do dia ela só vale R$ 10,00. Você pega os R$12,00 que lhe paguei e a recompra, zerando as operações e tendo um lucro de 20%.
É claro que se ação estiver a R$ 14,00 no fim do dia você se deu mal.
Funciona da mesma forma para opções.
Vamos simular com a ação custando R$ 10,00 e a opção R$ 0,25. Você pode vender 40.000 opções para o Manoel e receber R$ 10.000 ou vender 1000 ações e receber o mesmo valor.
Supondo que as opções variem no mesmo percentual que as ações, caso a ação suba 1% elas valeriam R$ 10.100,00. Com as opções indo a 0,2525 eu teria os mesmos R$ 10.100,00. Nada demais, por enquanto.
Mas acontece que as opções não vairam igual as ações. Imagine a ação e a opção foram subindo juntos e a ação chegou a R$ 12,00 (+20%). Teoricamente nossas opções valeriam R$ 0,30. Ainda tudo igual.
A coisa começa a mudar quando a ação chegar a, por exemplo, R$ 15,60 (R$ 12,00 + 30%). Neste caso as opções deveriam valer R$ 0,39.
Com a opção valendo R$ 0,39 eu desembolsaria R$ 12,39 para comprar a opção, depois a ação, e vender ação por R$ 15,60. Um lucro de R$ 3,21 ou 25,90%.
Acontece que o José poderia pagar 0,40 na opção e obter um lucro de “apenas” 25,8%.
Mas o João foi arrojado e pagou R$ 0,43 na opção. Desembolsou R$ 12,43 para vender a R$ 15,60. Só 25,5%.
Com a opção indo de R$ 0,39 para R$ 0,43 ela teria variado 10%! Isso descontando que ela já estava subindo sempre na mesma proporção da ação até os R$ 15,60, quando o pessoal começou a aceitar uma redução na margem de lucro.
Agora sim, enquanto as ações subiram 56% (de 10 para 12, de 12, para 15.6), as opções subiram 72%, indo de R$ 0,25 para R$ 0,30, e de R$ 0,30 para R$ 0,43.
Seria ótimo se você não estivesse “vendido”. Você apostou na queda para recomprar mais barato. Mas agora elas valem mais do que quando você vendeu e você precisa comprar de volta.
Refaçamos as contas do prejuízo:
1000 açoes x R$ 15,60 = R$ 15.600,00;
40.000 opções x R$ 0,43 = R$ 17.200,00. Uau!
Mas ainda existe uma coisa que as pessoas não percebem: Não existe ação (nem opção) que seja vendida a R$ -1,00 ou a R$ -50,00, certo? Logo, você sabe que se comprar uma ação ou opção o máximo que você pode perder é TODO capital caso a empresa quebre ou as opções venham a valer R$ 0,00. É ruim, mas pode ser bem pior.
Quando você opera a descoberto, não há um limite até onde os preços podem subir. Neste caso, o seu prejuízo pode ser INFINITO. Imagine uma opção saindo de R$ 0,03 e batendo em R$ 0,80!!! Prejuízo de mais de 1000%!
Se ao invés de investir uma pequena parte de seu capital em opções (como proteção) você tivesse colocado todo o seu dinheiro nas opções você teria ficado muito rico caso tivesse comprado, ou muito pobre caso estivesse descoberto.
Como pobres devem ter ficados alguns que, segundo estatísticas, estavam descobertos nas opções da Petrobrás no dia da descoberta da reserva de Santos. Haviam mais de 6.497.100 posições vendidas a descoberto em uma das opções da Petrobrás. Coitado desses caras. Bem afortunado os que compraram.
Conclusões
Como vimos as opções podem ser um mecanismo de proteção para os investidores, ou um instrumento poderosíssimo de alavancagem de capital.
Elas podem mudar sua situação financeira da noite para o dia. Para melhor ou para pior.
Livros
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