É isso mesmo! Se você sempre investiu em renda fixa com o objetivo de passar ileso pelas grandes crises, o tiro pode sair pela culatra.
Se no fim de agosto você possuía algum investimento em renda fixa ou em títulos do Tesouro Direto você deve ter percebido que os mesmos apresentaram rendimento negativo durante a crise do subprime.
O que acontece às vezes, é que quem investe em renda fixa é tão conservador que nem se preocupa em olhar os rendimentos, não percebendo as oscilações negativas.
Como a crise de agosto afetou as bolsas em todo o mundo, inclusive no Brasil, o temor internacional fez grandes volumes de dinheiro serem sacados daqui, fazendo a bolsa cair e alterando as perspectivas para os juros futuros. E são estes juros que regem o mercado da renda fixa.
Entendendo melhor
Os títulos são vendidos um desconto no valor de face, um deságio, para que no momento do recebimento você lucre com a diferença. Por exemplo, um título de R$ 1.000,00, que pague juros de 10% ano será vendido para você por R$ 909,10 (909,10 + 10% = 1000). Assim, no fim do ano, ao resgatar o título você terá lucrado 10%.
Agora imaginemos que, após você ter comprado o título, os juros anuais passe de 10% para 12%. Neste caso, o seu título não vale mais R$ 909,10 e sim R$ 892,85 (892,85 + 12% = 1000).
Assim, você pode tomar prejuízo de duas formas. A primeira seria ficando o título até o vencimento e, com isso, ganhar um juro abaixo do mercado. A outra forma, é se você precisar vender o seu título antes do vencimento. Neste último caso você levaria um prejuízo de R$ 16,25 (901,10 - 892,85) ou 1,78%.
É claro que o inverso também é verdadeiro. Caso você compre um título com um valor de face de R$ 1.000,00 com vencimento em 1 ano e pagando juros de 15%, você desembolsará R$ 869,56. Caso os juros caiam para 10% ao ano, automaticamente o seu título passa a valer R$ 909,10. Neste caso você pode obter um lucro de 4,5% caso venda o seu título.
No site do Tesouro Direto você pode encontrar uma tabela com os valores e as taxas oferecidas de cada título. Esta tabela é modificada todos os dias em função das taxas de juros projetadas para o futuro.
Fundos de investimento
A mesma coisa se aplica para fundos de investimento. Na verdade, o que os fundos de investimento fazem é aplicar o seu dinheiro em títulos. E o mercado de títulos funciona como explicado.
A única diferença é que o fundo pode vir a aplicar em diferentes tipos de títulos, como por exemplo títulos do Tesouro Nacional, títulos da dívida do estado de São Paulo e também em títulos da dívida do governo do Ceará.
Isso poderia gerar uma eventual diferença (a favor ou contra o fundo) em caso de alguma comparação, mas o funcionamento não do mercado de títulos permanece inalterado: alta dos juros você perde, queda dos juros você ganha.
Escolha a melhor opção
Para aplicações em renda fixa, o melhor momento é quando há perspectivas de quedas nos juros futuros. Quem não se lembra quando a Selic estava acima de 20% ao ano e o governo dava sinais de que iria iniciar os cortes?
Naquela época, se você comprasse um título que pagasse 20% ao ano, com vencimento em 2 anos teria feito um ótimo negócio, já que a selic baixou para 16,5% muito rapidamente.
Em momentos de instabilidade, ou em cenário de aumento dos juros futuros, o ideal é aplicar em papéis/fundos pós-fixados, como por exemplo os fundos DI ou os títulos indexados pela Selic.
Quem também não se lembra da disparada do dólar? Naquela época, você deveria ter investido em papéis indexados pela Selic ou pelo IGP-M.
Portanto, não tente criar “regras” para seus investimentos. Não adianta pensar que investir em título é ruim e investir na bolsa é bom. Ou achar que dólar é mico e que ouro é sempre a melhor opção. Veja tudo isso como coisas de momento: a bolsa é o investimento da vez, mas não era há 4 anos atrás. O dólar já rendeu bem, hoje não rende mais.
Procure analisar e entender o mercado, e depois, faça sua escolha.