Devido ao post sobre o a utilização do FGTS na compra da casa própria, e a uma matéria da revista Vendo Imóvel, resolvi pesquisar sobre as diferentes formas de financiamento disponíveis no mercado atualmente.
As tabelas disponíveis para financiamento são basicamente duas: Price e SAC.
Vamos discutir cada uma e depois simular um financiamento de R$ 150 mil, com prazo de 120 meses e juros de 1% ao mês.
Tabela Price
A tabela Price é caracterizada pela utilização de juros compostos e também pelo valor fixo da parcela. É uma das mais conhecidas e utilizadas, embora seja a mais onerosa para o consumidor.
Devido ao valor fixo da parcela, o valor a ser abatido do saldo devedor é muito baixo no começo do pagamento, já que os juros representam a maior parte do valor pago.
Só depois, com o tempo, é que o valor pago passa a melhor utilizado no abatimento da dívida.
No planilha comparativa, você verá que do valor da primeira prestação, que é R$ 2.152, 07, apenas 30% é utilizado para diminuir o saldo devedor, e os outros 70% são referentes aos juros.
Embora o financiamento por esta modalidade seja bem mais caro para o consumidor no fim das contas, muita gente ainda a utiliza pois suas prestações são fixas e bem menores que as do sistema SAC.
Esta modalidade também acaba sendo melhor para o vendedor, que lucra mais.
Tabela SAC
A tabela SAC (Sistema de Amortização Constante) é caracterizada pela amortização constante do saldo devedor e também pelo valor decrescente da parcela. Embora seja uma alternativa melhor que a tabela Price, ela é menos utilizada devido ao fato de suas prestações serem maiores no começo.
Você poderá notar na tabela comparativa que a tabela SAC sempre abate o mesmo valor do saldo devedor, e com isso ajuda a diminuir o valor dos juros mais rapidamente.
Comparando com a tabela Price, já na primeira prestação, 45% do valor pago é utilizado para reduzir o saldo devedor e “apenas” 55% vão para os juros. Pode parecer pouco, mas a parcela dedicada a quitar a dívida é 50% maior que na tabela Price!
É claro que nada vem de graça. Para poder abater mais facilmente o saldo devedor você precisará desembolsar mais no começo. O valor da primeira parcela é quase 28% maior que a da tabela Price.
Em compensação, no 50º pagamento você já pagará menos que a prestação da tabela Price e estará utilizando 58% do valor para diminuir o saldo devedor. Pela tabela Price apenas 49% do valor estaria sendo utilizado para reduzir a dívida nesta mesma época.
Tabela SACRE
É uma variação da tabela SAC que é utilizada pela Caixa Econômica Federal. A tabela SACRE utiliza um Sistema de Amortização Crescente.
Neste sistema, o valor da parcela é mantido fixo durante 12 meses. Devido ao fato de que a cada mês o saldo devedor diminui um pouco (isso acontece em qualquer uma das tabelas), ao se manter o valor fixo aumenta-se o valor utilizado para quitar o saldo devedor.
Até aqui é bem parecido com o funcionamento da Price, mas o melhor ocorre a cada 12 meses. Todo ano, o saldo devedor é recalculado e dividido pelos meses restantes do financiamento fazendo com que o valor da parcela abaixe.
No caso do nosso exemplo, ao se dividir o saldo devedor no primeiro dia por 120 meses, chega-se ao valor de R$ de 2.777,50 para a primeira parcela.
Após o décimo segundo pagamento com este valor, o saldo devedor é de R$ 135.136,08 e, dividindo-se pelos 108 meses restantes chega-se a R$ 2602,62 por mês.
Esta modalidade é ainda mais interessante que a tabela SAC, mas apenas um banco a fornece. Se serve de consolo, a diferença dela para a tabela SAC não é tão gritante quanto da da SAC para a price.
Saldo Residual
Algumas modalidades de financiamento, independente da tabela utilizada pode apresentar saldo residual ao fim do pagamento das parcelas. Ou seja, você acabou de pagar as parcelas mas não acabou de pagar a dívida.
Para evitar que isso acontece, você deve prestar atenção para que o índice de reajuste do saldo devedor seja o mesmo que o das parcelas. Se for maior, o valor pago mensalmente não será suficiente para compensar os juros.
Outra coisa que pode fazer com exista saldo residual é a frequencia no reajuste do saldo devedor. Novamente, se ele for ajustado em uma frequência diferente das parcelas você pode ter problemas no futuro.
Conclusão
Você pôde perceber que sempre desembolsará uma quantia bem maior que o valor do bem em qualquer caso. Sendo assim, escolha o menor dos males.
Sempre que possível opte pela tabela SACRE em detrimento das outras. Deixe sempre a tabela Price como última opção ou evite-a, se puder.
Comparativo
Você poderá acessar a planilha com um empréstimo fictício clicando aqui. Neste exemplo não levamos em consideração a correção mensal das parcelas pela TR, mas isso não atrapalhará o seu entendimento, já que a TR afetaria da mesma forma ambas as tabelas.
Livros
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Tabela Price & Capitalização de Juros
Prova do Anatocismo da tabela Price
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