Negócios atípicos provocam leilões. Entenda.

Se você acompanha o mercado financeiro já deve ter ouvido falar nas expressões “leilão”, “leilão de abertura” ou “leilão de fechamento”. Os dois últimos também costumam ser chamados de “call de abertura” e “call de fechamento”.

Os leilões podem acontecer em um momento pré-determinado (como os de abertura, por exemplo) ou em alguns momentos “especiais”, determinados pela bolsa.

Vamos começar pelos leilões que acontecem durante o andamento do  pregão, e depois discutiremos os leilões de abertura e fechamento.

Leilões durante o pregão

Um ativo entra em leilão caso alguns critérios pré-definidos pela bolsa sejam atingidos. São eles:

  • Quantidade: caso haja uma ordem de compra ou venda envolvendo uma quantidade superior a 10 vezes a média dos últimos 30 dias, o ativo entra em leilão;
  • Cotação: caso haja uma oscilação positiva ou negativa superior a 10% sobre o último preço.
  • Negociabilidade: caso uma ação não tenha sido negociada nos últimos 5 dias ou esteja estreiando na bolsa.

O objetivo dos leilões é garantir uma transperência aos negócios e também uma melhor formação de preços. Afinal, imagine que você tenha uma ação X que está valendo por volta de R$ 10,00 e não deseja vendê-la, mas descobre depois que houve um único negócio por R$ 15,00.

E aí você pensa: “por R$ 15 eu venderia as minhas ações, droga”.

O objetivo do leilão é avisar para todo mundo, e bloquear a negociação por alguns minutos, para que as pessoas interessadas possam se manifestar. É a sua chance de “dizer”: “Alguém ia vender por R$15 e alguém ia comprar? Eu vendo por R$ 14,99″. E daí um outro provavelmente “dirá”: “Eu vendo por R$ 14,90!”. E assim por diante…

Segundos algumas fórmulas matemáticas, o leilão irá bloquear as negociações do papel por um tempo maior ou menor, e nesse momento apenas irá receber as intenções de compra e venda dos investidores.

Quando for esgotado o tempo do leilão o valor que concentrar o maior volume a ser negociado será escolhido como o preço do leilão. Ou seja, se após o recolhimento de todas as ordens o maior volume de intenção de negócios estiver na casa dos  R$ 10,50 este será o preço do ativo.

Viu só? Uma variação que iria ser de 50% acabou mudando para uma variação de 5% pois houve um tempo para o mercado se regular e isso evitou uma má formação de preço. Isso acontece pois há um tempo suficiente para o book de ofertas se recompor.

Por falar em book de ofertas, quando um ativo sai do leilão as ordens que foram enviadas para compra ou venda no “preço de abertura” terão a prioridade de execução. Ou seja, quem colocou uma ordem do tipo “compro do preço que ficar resolvido” terá a prioridade.

Após o processamento dessas ordens terão prioridade as ordens normais, sempre casando a maior oferta de compra com a menor oferta de venda.

Vale lembrar que a Bovespa não impede que uma ação suba 50%. Ela só “não deixa” que isso aconteça de um negócio para o outro subitamente.

Eu usei aspas no “não deixa” pois se o leilão resolver que a alta subita de 50% faz sentido, tudo bem, está resolvido e esse será o preço do leilão. Mas isso foi feito às claras e todos foram avisados.

Leilões de abertura e fechamento

Estes leilões são realizados minutos antes da abertura e do fechamento do mercado. Estes leilões também possuem como objetivo estabelecer um preço transparente de abertura e fechamento para o ativo.

Imagine que você tivesse um dívida em dólar a ser paga pela cotação do fechamento de hoje e que ele tenha passado o dia sendo negociada por volta de R$ 1,70. Só que no último negócio, aos 50 minutos de jogo, ele vai para R$ 2,30. Esse seria um preço de fechamento justo?

É claro que não, e talvez poderia se tratar de uma manipulação de alguém que teria a ganhar com essa alta súbita. Muito provalmente a pessoa que irá receber de você, hehehe.

Por isso nos últimos minutos (normalmente 5) é realizado um leilão para determinar o preço de fechamento. E a faixa de preço como o maior volume será o preço de fechamento.

O mesmo processo acontece também para determinar o valor de abertura de um ativo.

Calls com horário definido

Alguns ativos de baixíssima liquidez possuem horários de calls determinados pela bolsa. Acontece mais ou menos assim: “Vamos pegar a ação ZZ e fazer um call diário, sempre das 15:30 às 16:00 para ver se ela desencalha”.

Com isso, que quiser negociar ZZ sabe que se “aparecer” nesse horário encontará outros interessados em fazer negócio.

Isso evita que você coloque uma ordem de venda pela manhã e não apareça ninguém para comprar.  Daí mais tarde aparece um cara querendo comprar e ninguém está lá para vender…

Com o call estipulado todo mundo sabe que hora deve aparecer se quiser fazer negócio.

Links

Regras para leilões da Bovespa

 Del.icio.us



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