Qual a função de um banco?
Apesar de serem criticados por seus altos lucros e pelas tarifas cobradas, os bancos desempenham um papel importante na sociedade.
A função mais óbvia de um banco é fazer a guarda de valores para os seus clientes. Imagine se você tivesse que ficar carregando todo o dinheiro que ganha consigo. Ou então se tivesse que achar um lugar para escondê-lo.
Os bancos também possibilitam a realização de transações como transferências e pagamentos. Isso também é bastante claro, pois fazemos isso quase todos os dias.
Mas os bancos também têm a função declarada de proporcionar o suprimento de recurso financeiros para financiar no curto e médio prazo a indústria e o comércio. E eles fazem isso meio dos empréstimos.
Basicamente, os bancos recebem o dinheiro de quem tem e, segundo alguns critérios, o empresta para quem precisa. Ele promove o encontro entre essas duas partes.
É claro que o banco cobra para oferecer esta solução, mas ele também arca com quaisquer riscos envolvidos na operação. Afinal, você não precisa se preocupar com quem vai pegar o seu dinheiro emprestado ou se a pessoa tem condições de pagar. Por mais que a pessoa não pague para o banco o seu dinheiro estará lá quando você precisar sacá-lo.
Os bancos também são um importante instrumento para a aplicação da política monetária do país. É por meio deles que o governo pode aumentar ou diminuir a quantidade de dinheiro disponível no mercado, por exemplo.
Para entender melhor
Suponha que uma pequena cidade acabe de receber o seu primeiro banco. Todas as pessoas da cidade abriram conta, depositaram suas economias e ganharam um talão de cheques. Imaginemos que o total de todo o dinheiro no cofre do banco seja de R$ 100.000,00.
Está claro aqui a primeira função dos bancos: fazer a guarda dos valores.
Continuando, imagine que o José peça ao Paulo para lavar o seu carro. Paulo faz o serviço e com isso recebe um cheque de R$ 50,00 do José.
Paulo então vai ao banco e desconta o cheque. Neste momento, o valor total em poder do banco passa ser de R$ 99.950,00.
Paulo, feliz da vida resolve comprar uma camisa na loja da Dona Maria. Paga a ela R$ 30,00 pelo produto. Na volta para casa ele resolve comprar pães e bolos e gasta os R$ 20,00 restantes na padaria do Juca.
No outro dia Juca e Dona Maria vão ao banco depositar o dinheiro que receberam. Neste momento a soma dos valores no cofre do banco é de R$ 100.000,00 novamente.
E assim seguem as transações financeiras na cidade.
Se analisarmos bem perceberemos que o valor que está em poder do banco permanece mais ou menos o mesmo, sofrendo apenas uma pequena variação. Os banqueiros já sabem disso.
Sendo assim, o banqueiro percebeu que poderia emprestar o dinheiro que está em seu poder para quem estivesse precisando e obter um lucro adicional com isso. Aparece aqui a outra função do banco: fornecer empréstimos.
Suponhamos agora que o Juca resolva pedir um empréstimo de R$ 100.000,00 para ampliar a padaria. Ele vai até o banco e consegue o empréstimo, dando como garantia o imóvel comercial e o imóvel residencial.
É claro que o Juca não vai carregar R$ 100.000,00 em baixo do braço, então ele deixa o dinheiro em sua conta no banco. Viu? o dinheiro nunca sai do banco de verdade.
A partir desde momento, embora o saldo do cofre do banco seja de apenas R$ 100.000, 00 existem R$ 200.000,00 em circulação - Só para ficar claro, o banco resgataria os R$ 100.000,00 do cofre para entregar para o Juca, deixando o saldo zerado. Acontece que o Juca depositou o dinheiro de volta, reestabelecendo o saldo.
É claro que os R$ 100.000,00 adicionais não surgiram do nada. Eles estão garantidos pelos imóveis do Juca, não se esqueça.
Após o empréstimo o Juca vai até a loja de materiais de construção do Vicente e gasta todo o dinheiro lá. Vicente passa a ter mais R$ 100.000,00 na sua conta, ficando o saldo do cofre em R$ 100.000,00 e o total circulante em R$ 200.000,00 ainda, pois o Juca não pagou seu empréstimo.
Nesse exemplo que citei, o banco proporcionou, por meio do empréstimo, um aumento no volume de dinheiro em circulação, o que gerou mais negócios, empregos e lucros. Inclusive para o banco.
Caso o banco não concedesse empréstimos, o simples fato do dinheiro ficar trocando de mãos (como no começo do post) não geraria riqueza nem criação de valores. Não haveria crescimento. Haveria estagnação.
Ajudando o governo
Embora o aumento do capital em circulação seja bom pelos exemplos acima, ele também pode gerar inflação. Isso acontece pois como a quantidade de dinheiro disponível passar ser muito grande, fica mais “fácil” conseguir dinheiro.
E o que acontece com algo que existe de montão em qualquer lugar? Tende a ficar mais barato, custar menos. E se o dinheiro vale menos, então há inflação.
Sendo assim o governo pode utilizar os bancos para aumentar ou diminuir a quantidade de dinheiro em circulação. Esta é a terceira função dos bancos: servir de meio para a aplicação da política monetária.
Caso o governo perceba que há muito dinheiro disponível ele pode exigir que os bancos depositem no banco central uma parte de tudo que você depositar no banco. Isso se chama depósito compulsório e todo Banco Central faz isso.
Sendo assim, se o Banco Central exigir um depósito compulsório de 30%, os bancos só poderão emprestar 70 reais para 100 que você depositar. Com isso haverá uma redução na oferta de dinheiro, aumentando o seu valor e reduzindo a inflação.
É claro que o mecanismo real é bem mais complexo, pois existem vários bancos no mercado e também existem inúmeros fatores que contribuem para a inflação.
Sem falar que para qualquer medida adotada haverão inúmeros efeitos colaterais (ou não) que não analisados aqui. Mas de uma forma geral é assim que funciona.
Livros
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O escândalo do banco Marka
Regulamentação bancária
Responsabilidade civil dos administrados de bancos comerciais
January 23rd, 2008 at 3:18 am
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